Forró e o Regionalismo Redentor do Nordeste Brasileiro. Música Popular em Uma Cultura de Migração

O gênero de Música Popular Brasileira forró sempre foi caracterizado pelo movimento. Pode-se traçar de forma ampla a história do gênero através de fluxos de produção cultural e de pessoas por todo o Brasil e além. Entre os espaços rurais e urbanos, entre locais de produção regionais e nacional, entre o interior e o litoral, entre a marginalidade cultural e a aclamação nacional e entre a origem e diáspora, o forró e seus artistas, os forrozeiros, sempre se moveram entre algumas das grandes antinomias da modernidade latino-americana. Os forrozeiros conseguiram continuar o movimento vital que conduz à inovação diacrônica e à altamente complexa alegorização do gênero ao mesmo tempo em que mantém um imaginário sincrônico, redentor, que vislumbra um Brasil alternativo, no qual trabalhadores rurais possam não mais ser marginalizados ou esquecidos. Neste livro, a aproximação teórica revela o amplo desenvolvimento histórico do forró e os seus expansivos esforços em representar o Nordeste brasileiro, seu povo, e sua migração em grande escala. Os esforços neste sentido são ilustrados por meio de análise de letras, instrumentação, estilos e espaço de performances. Esses discursos e práticas estão contextualizados em uma série de literatura secundária sobre a região Nordeste e experiências migratórias dos nordestinos. É enfatizado o modo como esses elementos de representação se engajaram estrategicamente na indústria cultural moderna brasileira, desde os anos 1940 até o presente.
O fole roncou!: Uma história do forró

Um dos mais autênticos gêneros musicais brasileiros, o forró tem uma história cheia de episódios marcantes. Nascido a partir da mistura de ritmos nordestinos como baião, xaxado, coco, arrasta-pé e xote, existe há sete décadas, sobrevivendo aos muitos modismos. O fole roncou! reconstitui sua trajetória e revela histórias curiosas e divertidas de grandes nomes da música popular, como Luiz Gonzaga, personagem central dessa trama; Jackson do Pandeiro, Marinês, Dominguinhos, Trio Nordestino, Genival Lacerda, Anastácia, Antonio Barros e Sivuca. Os autores realizaram mais de 80 entrevistas e uma ampla pesquisa. O resultado é um livro cheio de histórias contagiantes, marcadas pela sanfona, por muito suor e chamego.
No Ceará não Tem Disso Não. Nordestinidade e Macheza no Forró Contemporâneo

Em seu mais recente livro, “No Ceará não Tem Disso Não”, Felipe Trotta aborda questões que permeiam desde o estudo da identidade nordestina até as características que a música traz sobre este povo. O Ceará a que o autor se refere é o Nordeste como u m todo, não apenas o estado, fazendo referência à canção homônima, interpretada por Luiz Gonzaga e de autoria de Guio de Morais. Neste livro, o leitor descobre a importância do forró como um marco identitário, um símbolo de pertencimento, uma chave de compartilhamento de ideias do Nordeste, onde a música mostra (ou quebra) estereótipos fixos em nossa memória, como o homem valente, macho e viril nordestino – marca do conservadorismo machista ainda presente em vários estados brasileiros. O autor tenta, através de estudos e análise de letras do forró (do pé de serra ao eletrônico, das clássicas às contemporâneas), mostrar a riqueza da cultura nordestina, e nos livrar do preconceito, infelizmente ainda vivo na sociedade atual.
Gameleira: Serra, Quilombo e Forró

Uma serra fincada no meio da caatinga com uma nascente de água em seu topo é o palco de uma longa história de ocupação que inclui a presença indígena, refúgio de pessoa escravizada e, posteriormente, chegada de uma família de retirantes. A nascente ficou conhecida como “olho d’água” e a sua localização serviu de esconderijo para aqueles que procurassem se livrar das perseguições do trabalho forçado. A Serra da Gameleira abriga uma história de resistência baseada em uma forte presença étnica com alianças entre negros e indígenas. Não é obra do acaso, a designação do local aparecer em registros de terra datados do século XVIII. O “tempo antigo e o tempo do cativeiro” emergem na memória social, invocado pelos moradores da Serra para trazer à tona acontecimentos que marcaram profundamente o passado daqueles que hoje vivem no local. O escravo Gídio Véi, possivelmente fugido de uma fazenda de gado da região, fez morada na Gameleira e, de certo, liderou um processo típico de aquilombamento que inclui suprir necessidades de subsistência, reproduzindo material, social e culturalmente. O trabalho com a terra ajudou a se fixarem no local. Resistência que encontrou morada na música, na dança e na festa. Assim como fez Fabião [Hermenegildo] das Queimadas, escravo da região do Potengi, famoso por ser poeta e conseguir o feito de comprar a sua liberdade tocando rabeca, Gídio Véi fez surgir uma longa tradição de rabequeiros e sanfoneiros na Serra da Gameleira. Hoje os descentes de Gídio Véi dão continuidade ao legado que herdaram e acenam orgulhosamente para um futuro com dignidade e cidadania. O livro Gameleira: serra, quilombo e forró, vem a público em oportuno momento. No dia 09 de dezembro de 2021 as Matrizes Tradicionais do Forró foram reconhecidas como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN. Destarte, a obra apresenta uma equilibrada combinação entre etnografia cuidadosa, análise antropológica vigorosa e um resgate histórico minucioso. O resultado é inovador, contribuindo diretamente com a proteção da memória e do patrimônio étnico desta comunidade.
Jackson do Pandeiro: de A a Z

Jackson e sua curta obra “forrográfica”, é ouro, dentro da vastidão de valiosos minérios da música popular brasileira. Só um bom garimpo trouxe à luz preciosidades até então desconhecidas e inacessíveis. Raridades perdidas ou apenas “esquecidas” nas gavetas e arquivos de discotecas de antigas rádios, nos arquivos da Censura que atuou fortemente durante o período de produção jacksoniana. Músicas que não foram gravadas, mas ao menos pudemos ver sua letra e quem sabe sonhar com como seria a sua melodia, como seria a música se tivesse sido gravada, observando o ano e relacionando com a banda que o acompanhava na época, quem sabe imaginar… só em sonho mesmo.
what is forró

The booklet tells a little about the origin and meanings of the word “forró”, its main rhythms, the basic dance steps, the evolution of the genre from the 1940s to the present day, and its leading artists. The book was written in partnership with musician and researcher Sandrinho Dupan, from Campina Grande, Paraíba, with final editing and review by Fernando Moura, a journalist, researcher, and writer from João Pessoa, Paraíba.
O que é forró

A cartilha conta um pouco sobre a origem, os significados da palavra forró, seus principais ritmos, passos básicos da dança, a evolução desde os anos de 1940 até hoje e os seus principais artistas. Um livro escrito em parceria com o músico e pesquisador Sandrinho Dupan, de Campina Grande – PB. Com revisão e redação final de Fernando Moura, jornalista, pesquisador e escritor, de João Pessoa – PB.
Forró: O Corpo não mente

A autora é escritora já renomada e frequentadora das animadas pistas de forró da noite paulistana. Embalada pelo ritmo, leva os leitores para este universo, através de 20 crônicas “forrozeiras”. Em cada uma um olhar diferente, inusitado e contagiante sobre o tema. Deborah esbanja nas descrições, explora todos os sentidos tanto das personagens como dos leitores: cores, texturas, aromas ou mesmo odores, temperaturas, sons… tudo rodopia e enebria neste curioso salão que se torna o livro. Junte-se e se deixe levar pelo ritmo fluido do livro. O forró segue vencendo preconceitos, dessa vez no campo da literatura. Muitos podem se surpreender com um livro de crônicas inspirado no gênero dançante, mas como o mestre das crônicas Mário Prata anuncia no prefácio do livro, “Quando li a primeira crônica – e pasmei! – pensei que ela havia esgotado toda a sua cultura – nada acadêmica – sobre o tema. E é aí que resiste o fenômeno literário que você está pra ler. Sim, fenômeno! Além do primeiro texto, são vinte pedaços de forró. Em cada um, acredite, um olhar diferente, um tema mais inusitado que o outro.” Deborah consegue extrair o sumo de suas vivências com sua linguagem ágil e reflexiva. Em 2011, navegou os rios amazônicos para escrever um romance finalista do Prêmio Jabuti sobre a Guerra da Cabanagem. Em 2019, conviveu com comunidades quilombolas ao Norte do Espírito Santo para escrever, em co-autoria, outro romance finalista do Prêmio Jabuti. Agora, foi a vez de se debruçar sobre o forró sudestino, que teve um papel importante na sua vida pós pandemia: “O forró me salvou de várias formas. Na retomada do corpo, na relação com os outros e na ressocialização.” A escritora havia testemunhado na juventude a revolução cultural que significou o surgimento do forró universitário na virada do Século XX em São Paulo. Entendeu que essa história precisava ser contada, transporta para a literatura. A partir do convite de Toshio Yamasaki, começou a escrever crônicas para o site Forró Fonte de Felicidade. Rapidamente, as crônicas forrozeiras se tornaram parte da vida forrozeira paulistana, suscitando temas divertidos e, ora, polêmicos, “O forró é tão maleável que foi acomodando novas tendências da sociedade, como o questionamento da heteronormatividade na dança.” Acima de tudo, as crônicas são sobre a vida que habita em cada cotidiano: “Os corpos forrozeiros só precisam uns dos outros. No salão, estão corpo a corpo. Cada qual com o seu tamanho e forma específica, uns altos e outros baixos, uns fortes e outros magros, com seus perfumes e odores característicos, ora doces e amadeirados, suas texturas – mãos calosas ou suaves, cabelos longos, ralos ou rastafáris, suas secreções (notavelmente, os suores), seus sons (suspiros, espirros!), seus estilos de vestir – podendo variar do riponga ao heavy metal, alterando em graus de firmeza e molenguiçe, agilidade e lentidão. Cada corpo é uma verdade inexorável, diante do seu, colado no seu, espelhando o seu.”